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Programa Mais Médicos evidências científicas disponíveis

Apesar da saída dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos (PMM) em novembro de 2018, as pesquisas científicas continuam evidenciando os efeitos do PMM. A seguir destacamos algumas dessas pesquisas publicadas em 2018.

Num estudo no qual foram analisados indicadores de saúde, no período 2008-2016 (antes e depois da implementação do PMM), dos 1866 municípios que receberam médicos pelo programa e onde estes permaneciam ativos em 2016 encontrou-se aumento da cobertura populacional, ampliação do número das visitas domiciliares e consultas médicas e redução da proporção das Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica (Lapa, 2018).

Resultados similares foram encontrados numa pesquisa realizada em Marajó, Pará. Por meio da análise da série histórica 2011-2015 de alguns indicadores -cobertura populacional, proporção de nascidos vivos de mães por consultas de pré-natal, taxas de internação por condições sensíveis a atenção primária e taxa de mortalidade infantil- encontrou-se que, após a implementação do PMM, houve tendência à melhoria nesses indicadores. Em dezembro de 2018 alcançou-se cobertura na região de 42,8%, em abril de 2014 todos os 16 municípios tinham equipes implantadas com médicos, a proporção de nascidos vivos de mães sem consulta pre-natal se reduz e houve tendência de queda da mortalidade infantil a partir de 2014 (Carneiro et al., 2018).

Também, no Pará, num estudo realizado com população quilombola através de grupos focais com usuários de Unidades Básicas de Saúde, entrevistas semiestruturadas com médicos atuantes nas UBS, gestores, conselheiros municipais e lideranças locais, concluiu-se que o PMM contribuiu com a permanência dos médicos nos municípios, favorecendo o acesso a ações de promoção da saúde, prevenção da doença e o estabelecimento de vínculo com os usuários (Pereira e Santos, 2018).

Em Pernambuco, numa pesquisa realizada no período de janeiro-maio de 2018 através de entrevistas com profissionais e usuários de equipes de saúde que receberam médicos do PMM e análise documental, encontrou-se que o programa contribuiu no provimento emergencial de médicos para 43% das equipes implantadas no Estado. No entanto, a fixação desses profissionais não conseguiu acompanhar essa mesma proporção, somente 8,5% de fixação dos médicos providos pelo projeto nos três primeiros ciclos (Souza, 2018).

Apesar das evidências cientificas dos efeitos do Programa Mais Médicos apontadas pelos estudos aqui destacados e outros disponíveis, após a saída dos médicos cubanos a permanência do programa se encontra em risco. Segundo dados da Folha de São Paulo 1.052 (15%) dos médicos brasileiros que entraram no PMM desistiram em menos de 3 meses. O perfil das cidades com maior número de desistências (31%) é de aquelas com 20% ou mais da população em extrema pobreza e capitais e regiões metropolitanas (20% de desistências)

Convidamos à leitura das teses, dissertações e artigos consultados e outros disponíveis na Plataforma de Conhecimentos do Programa Mais Médicos http://maismedicos.bvsalud.org/

Referências

Cancian, Natália. Em 3 meses, Mais Médicos tem 1.052 desistências após saída de cubanos. Folha de São Paulo. Brasília, 4 de abril de 2019 https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/04/em-3-meses-mais-medicos-tem-1052-desistencias-apos-saida-de-cubanos.shtml?utm_source=whatsapp#_=_?loggedpaywall&service=paywall/frontend Acesso em: 22 de abril de 2019

Carneiro, Vânia Barroso; Maia, Camila Rosângela Maciel; Ramos, Edson Marcos Leal Soares; Castelo-Branco, Socorro. Tecobé no Marajó: tendência de indicadores de monitoramento da atenção primária antes e durante o Programa Mais Médicos para o Brasil. Ciênc. Saúde Colet; 23(7) jul. 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232018000702413&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&ORIGINALLANG=pt Acesso em: 22 de abril de 2019

Lapa, Ademir. Programa Mais Médicos: uma contribuição à análise da oferta de ações e serviços de saúde. Dissertação (Mestrado – Políticas Públicas em Saúde) – Escola Fiocruz de Governo, 2018. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/programa_mais_medicos_contribuicao_analise_oferta_acoes_servicos_saude.pdf Acesso em: 22 de abril de 2019

Souza, Bárbara Pinto Andrade de. Projeto mais médicos para o Brasil: uma avaliação da fixação dos profissionais e dos efeitos no acesso à atenção primária à saúde. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde Pública) – Instituto Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz, 2018. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/31473/2/2018souza-bpa.pdf Acesso em: 22 de abril de 2019

Pereira, L., Santos, Leonor. Programa Mais Médicos e Atenção à Saúde em uma comunidade quilombola no Pará. Argumentum v. 10, n. 2 (2018). Disponível em: http://periodicos.ufes.br/argumentum/article/view/18737/14184 Acesso em: 22 de abril de 2019

Por Diana Ruiz e Valentina Martufi – doutorandas que contribuem para a REDE APS

 

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