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Além do cuidado centrado nos pacientes: cuidado centrado nas comunidades

A doutora Juliana E. Morris propõe uma nova abordagem à noção de medicina da comunidade, apresentando os benefícios de uma integração entre serviços de saúde e outras iniciativas sociais, a partir de uma reflexão sobre sua trajetória política e no campo da atenção básica.

Neste artigo,  Morris relata a experiência de alguns pacientes que além de uma condição mórbida, apresentavam alguma situação de vulnerabilidade que contribuía para o agravamento do quadro de saúde. O primeiro caso, foi de uma portadora de Diabetes tipo 1,  cuja condição de imigrante sem documentação nos EUA afetava negativamente a sua saúde A médica desta paciente recomendou que se juntasse a um movimento social juvenil para imigrantes sem documentação, para tentar resolver sua situação de cidadania, e conseguir perseguir seus sonhos de estudos e emprego. A paciente em questão não só entrou ao movimento, mas também voltou uma líder do mesmo. Assim foi que o ativismo social ajudou a melhorar a saúde dela, inspirando a doutora Morris a utilizar a mesma abordagem com outro paciente, cuja condição de falta de cidadania também estava piorando sua situação de saúde.

Porém, reforça a autora, não foi fácil enfrentar este novo caminho sem uma infraestrutura organizada detrás: a médica ficou com receio de recomendar ativismo social a um paciente que havia procurado ela para tratar sua síndrome do intestino irritável. Ainda assim decidiu se informar sobre as organizações locais que poderiam ajudar o paciente dela desde um ponto de vista social, e o encaminhou para aproveitar do apoio existente na sua comunidade.

À luz destas experiências, Morris propôs integrar mais sistematicamente a provisão de serviços de saúde com as redes de organizações comunitárias, que podem prover apoio para os pacientes resolverem questões sociais e de cidadania que indiretamente podem estar piorando sua condição de saúde. A ponderação também levou a autora a questionar se o trabalho profissional dos Agentes Comunitários de Saúde poderia ser mais focado na colaboração na comunidade, que no paciente individual.  

Apesar de ser uma reflexão oriunda de um contexto social e sistema de saúde muito específico, o dos EUA, esta proposta poderia inspirar conversações sobre possíveis reformas de modelos de atenção à saúde também em outros países, com ênfase particular na atenção básica.

Para ler o artigo na integra, acesse aqui.

Por Diana Ruiz e Valentina Martufi – doutorandas que contribuem para a REDE APS

 

Rede APS

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