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10 prioridades de pesquisa em APS identificadas através da utilização de um método Delphi modificado

Com este estudo publicado pelo jornal aberto PLOS ONE, seis pesquisadores de instituições acadêmicas canadenses procuraram estabelecer quais são as 10 prioridades de pesquisa em atenção primária em saúde (APS), focando-se em particular nas necessidades de países de renda média e baixa. Justificaram a necessidade de um estudo desta natureza ressaltando a importância da APS para o êxito dos sistemas de saúde, e apontando a escassez de pesquisa centrada em temas de APS. Os autores argumentaram que o estabelecimento de prioridades de pesquisa em APS tornaria o financiamento desta mais efetivo.

O método escolhido para o estudo foi o processo da James Lind Alliance (JLA), desenvolvido para determinar prioridades empregando diferentes abordagens, como enquêtes e grupos focais. O JLA inspira-se no método Delphi, reconhecido para o desenvolvimento de consenso entre partes interessadas. O primeiro passo foi solicitar, através de uma plataforma na internet, respostas abertas à seguinte pergunta: “Por favor sugira até três questões importantes para a pesquisa em APS”. Os respondentes, ademais, tinham que identificar sua posição como parte interessada, entre “profissional médico”, “pesquisador”, ou “membro do público”. De fato, os autores visavam incluir a opinião do público geral, que, porém, somente representou 18,7% dos respondentes. A enquete foi disseminada em inglês, francês e espanhol através de uma abordagem dirigida, que procurou envolver principalmente, porém não unicamente, atores de países de renda média e baixa. Utilizaram-se contatos existentes com organizações de atenção primária, medicina da família e organizações de pacientes, convidando-os a disseminar a enquete para seus contatos, tipo bola de neve.

131 pessoas de 27 países responderam à enquete, provendo um total de 379 propostas de pesquisa. A maioria delas foi feita por profissionais médicos (60,4%) e pesquisadores (20,8%). Num primeiro momento, os autores eliminaram algumas das propostas: 29 por serem fora do tema da APS, 65 por considerar que dificilmente chegariam a ser escolhidas entre as 36 que seriam discutidas por um grupo focal, e 6 por serem relacionadas a temas já amplamente estudados. Dois dos autores trabalharam nas 279 propostas mantidas, juntando as similares, totalizando-se  101 questões. Estas foram classificadas de forma independente por cada autor, obtendo as 36 mais importantes segundo a classificação dos autores. O passo final foi de submeter as 36 propostas a uma reunião presencial de 26 participantes de 13 países (principalmente da África e da Ásia), durante um congresso internacional de medicina da família. As 10 propostas de pesquisa em APS identificadas através deste último exercício foram: 1) Qual a melhor maneira de abordar os determinantes sociais da saúde e promover a equidade em saúde através da APS? 2) Como financiar, organizar e prover profissionais para a APS 3) Qual o melhor jeito de alcançar a cobertura universal em saúde nos países de renda média e baixa? 4) Como medir o desempenho da APS? 5) Quais as maneiras mais efetivas de traduzir conhecimento e evidências em APS? 6) Quais as intervenções mais efetivas para melhorar as habilidades funcionais e qualidade de vida das pessoas com multimorbidade? 7) Quais as melhores estratégias para envolver os pacientes no desenho e implantação de ações de APS? 8) Como integrar o conhecimento de comunidades indígenas na provisão de serviços individuais em APS? 9) Qual o melhor jeito para a APS promover hábitos saudáveis na população? 10) Quais os efeitos de utilizar comunicação eletrônica (incluindo e-mail, mensagens de texto e registros eletrônicos) na provisão de APS?

Para concluir, os autores citaram um artigo de 2004 do jornal Annals of Family Medicine, que já ressaltava a necessidade de levar a cabo pesquisa centrada em medicina da família, descrevendo a pesquisa em APS como o elo perdido no desenvolvimento de cuidados na saúde que sejam de alta qualidade e baseados em evidências.

Para ler o artigo na íntegra clique aqui.

Por Diana Ruiz e Valentina Martufi – doutorandas que contribuem para a REDE APS

 

Rede APS

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