A saúde mental de estudantes de pós-graduação preocupa

Há uma demanda crescente por ajuda vinda de estudantes de pós-graduação pelo mundo que lutam contra preocupações de saúde mental. Ainda que o tópico venha tendo mais discussão, ainda persiste uma necessidade de pensar a saúde mental nessa parte de população.  É o que afirma o artigo “Evidence for a mental health crisis in graduate education”, recém-publicado por Nathan Vanderford e outros pesquisadores dos EUA na revista Nature Biotechnology. No Brasil, o estudo foi bastante repercutido através de reportagem de Pablo Barrecheguren, no El País.

O artigo afirma que já havia evidências na literatura bastante preocupantes em relação a esse assunto. Um relatório de 2014 da Universidade de Berkeley mostrou que havia em 43-46% dos estudantes na área de biociências estavam deprimidos. Outro estudo da Universidade do Arizona de 2015 mostrou que a maioria dos estudantes de doutorado relataram stress “maior que a média” ou “enorme” e apontaram que o quadro estava associado aos estudos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para observar a questão, foi aplicado um questionário abrangente que incluía escalas previamente validadas para ansiedade (GAD07) e depressão (PHQ09). Um total de 2279 estudantes (90% de doutorado e 10% de mestrado), de 26 países e 234 instituições responderam à pesquisa online. No Brasil, a Universidade de São Paulo foi incluída no estudo.

Os resultados mostram que os estudantes de pós-graduação, comparado à população geral, seis vezes mais sintomas de ansiedade e depressão. 41% dos estudantes preencheram critérios de ansiedade moderada a severa e 39% de depressão moderada a severa. Em relação a grupos específicos dos entrevistados, a maior prevalência de ansiedade e depressão foi entre os estudantes autoidentificados como transexuais e de gênero conflitante, com mais da metade dos entrevistados com depressão e ansiedade.

A maior parte dos entrevistados com ansiedade e depressão apontava não ter uma bola relação entre trabalho e vida pessoal, com disponibilidade de tempo para outras atividades além dos estudos. Além disso, metade dos estudantes com ansiedade e depressão não sentia suporte amplo nem valorização dos orientadores.

Os pesquisadores concluem o artigo afirmando a necessidade de ações de estabilizar e expandir recursos de iniciativas de desenvolvimento de saúde mental e da carreira para os estudantes. Sem oficinas, treinamentos e a mudança da cultura acadêmica, a saúde mental dos estudantes de pós-graduação seguirá se agravando e preocupando.

inaiara

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