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Confira entrevista com a professora Ligia Giovanella sobre uma agenda estratégica para a APS e SUS

No próximo dias 20 e 21 de março, ocorrerá no Rio de Janeiro o Seminário “De Alma Ata à Estratégia Saúde da Família: 30 anos de APS no SUS – avanços, desafios e ameaças”, evento preparatório para o 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão 2018.

Organizado pela Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde – Rede APS, da Abrasco, o evento tem como programação a definição de uma agenda estratégica para a Atenção Primária no SUS. Na parte da manhã do dia 20, haverá mesa redonda com Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde; Rosana Aquino, professora da UFBA; Davide Rosella, professor convidado da UFBA e vinculado ao London School of Hygiene and Tropical Medicine e Luiz Facchini, professor da UFPEL e coordenador da Rede de Pesquisa em APS. A mesa será coordenada pela Profª Lígia Giovanella, da ENSP-Fiocruz. O evento será público e terá transmissão online. Também será gravado e disponibilizado posteriormente no site da Rede.

Confira abaixo a entrevista com a professora  Lígia Giovanella da ENSP/FIOCRUZ.

Em primeiro lugar são inegáveis os benefícios da APS para a saúde e o direito à saúde. Internacionalmente reconhecem-se os benefícios de sistemas de saúde sustentados por uma APS de qualidade e diversos estudos demonstram efeitos positivos da APS nos resultados em saúde, no acesso, na equidade e na eficiência dos sistemas de saúde. Atualmente o fortalecimento da atenção primária é considerado uma das estratégias mais efetivas para responder as mudanças contemporâneas no perfil de morbimortalidade. Com todos os percalços nestes 30 anos, uma boa parte dos sucessos do SUS pode ser atribuída à ampliação do acesso à atenção básica e especialmente à importante expansão da Estratégia Saúde da Família no território nacional. No momento atual o SUS está sob forte ameaça e a Saúde da Família também. Aos constrangimentos financeiros decorrentes do subfinanciamento crônico do SUS e da atual crise econômica soma-se o ajuste draconiano da EC 95 que congela os gastos públicos por 20 anos, que se mantida significará o desmantelamento do SUS. Ao mesmo tempo, nossa APS está ameaçada pela abolição da prioridade para a ESF e outras alterações definidas na PNAB reformulada em 2017.

Propor uma agenda estratégica para a APS neste momento significa reafirmar os princípios de um sistema publico universal de qualidade, reconhecer avanços, proceder uma análise crítica e formular estratégias para dar direcionalidade às nossas ações como profissionais, como organizações do movimento da reforma sanitária brasileira,  e como militantes em favor do SUS, na resistência frente ao desmonte. Este é também um ano eleitoral e esta agenda pode subsidiar programas de candidatos de partidos que defendam justiça social e direitos sociais universais que se aliem na consigna de: Nenhum direito a menos.”

Participe do Seminário no dia 20 de março no auditório da ENSP – FIOCRUZ – Rio de Janeiro 

 

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