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Estudo analisa efeitos da atuação em saúde bucal na APS sobre o câncer oral no Brasil

O câncer oral é uma doença potencialmente fatal, especialmente quando diagnosticada em estágios avançados. Estima-se que essa doença é responsável por metade dos casos de tumores na cabeça e pescoço (sétima neoplasia maligna mais frequente mundialmente). No Brasil, ainda que a APS seja responsável por promover saúde bucal, não há evidências suficientes para saber se esse nível de atenção tem efeitos na morbidade e na mortalidade por câncer oral.

Foi esse o objetivo do estudo recém publicado no periódico BMC CANCER, por Tiago Augusto Hernandes Rocha, professor da UFMG e membro da Rede de Pesquisa em APS e outros pesquisadores. Os autores afirmam que os profissionais do nível primário devem realizar exames orais rotineiramente para identificar neoplasias em estágio inicial. Entretanto, ainda há uma baixa cobertura populacional (37%) da Política Nacional de Saúde Bucal e poucas ações preventivas, deficiências na formação profissional e graves iniquidades sociais no país.

No âmbito mundial, a proporção de pacientes diagnosticados em estágios avançados da doença não se alterou nos últimos 40 anos. A investigação partiu da hipótese de que o aumento da cobertura, acesso a procedimentos e ações preventivas terão um impacto positivo na redução da incidência e mortalidade do câncer oral no país.

Realizou-se um estudo ecológico e longitudinal, utilizando dados de 7 fontes secundárias de dados diferentes, incluindo o DATASUS, o PMAQ-AB e o IBGE. Foram utilizadas como variáveis dependentes a incidência e a mortalidade por câncer oral, padronizadas por idade e gênero. Outras co-variáveis (sociodemográficas, estrutura das unidades básicas e o processo de trabalho) foram verificadas em modelos de regressão usando uma abordagem hierárquica baseada num modelo teórico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O artigo afirma que a taxa de mortalidade por câncer oral teve um aumento de 47% no país entre 2003 e 2012 (de 1.7 para 2.51 mortes/100 mil habitantes), com a incidência tendo ficado inalterada no mesmo período. Além disso, houve associação positiva entre a incidência de câncer em indivíduos acima de 60 anos e em tabagistas de idade adulta.

Não foi identificada diferença significativa entre os gêneros na incidência do câncer oral. A mortalidade teve diminuição associada à cobertura de equipes de APS e com mais financiamento desse nível de atenção. Segundo os autores, esses resultados referentes à mortalidade são inéditos na literatura nacional e internacional a respeito da temática.

Dentre os inúmeros achados do estudo, os autores destacam que os aspectos da estrutura e do processo de trabalho na APS brasileira tem efeitos em reduzir a mortalidade no câncer oral, mas não a incidência. Nesse sentido, mudanças no processo de trabalho das equipes de Saúde Bucal para ações mais efetivas no manejo na prevenção do câncer oral são necessárias. Além disso, investimentos em políticas de redução de fatores de risco devem ser feitas para aprimorar a qualidade do cuidado, especialmente sobre os mais idosos, bem como elevar as taxas de diagnóstico precoce feito pelas equipes.

Trata-se, em suma, de mais um estudo que destaca a importância do fortalecimento da APS no país. Boa leitura!

 

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