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Artigo debate a importância da APS e da coordenação do cuidado na estruturação das redes de atenção à saúde (RAS)

A edição de abril de 2017 (vol.22 n.4) da Revista Ciência & Saúde Coletiva traz uma série de artigos sobre os desafios organizativos para o SUS. No editorial, José Mendes Ribeiro e Marcelo Rasga Moreira afirmam que o volume relaciona as políticas de regionalização do SUS com “as suas lacunas federativas; seus mecanismos de governança, participação social e capacidade de governo; o financiamento setorial e as desigualdades sociais; as assimetrias regionais e o acesso a redes, serviços e medicamentos; e as diferentes dinâmicas e percepções de atores políticos”.

Vários artigos da edição relacionam tais questões com a estruturação regional da APS. Num deles, denominado “Atenção primária à saúde e coordenação do cuidado nas regiões de saúde: perspectiva de gestores e usuários”, Aylene Bousquat e autores analisam coordenação do cuidado pela APS, a partir do processo de construção da RAS na região de Barretos, no estado de São Paulo.

Partindo da premissa de que a APS é um dos condicionantes da dinâmica regional da saúde e, consequentemente, fundamental para a configuração das redes de saúde, foi realizado um estudo de caso com triangulação de dados produzidos por abordagens quali e quantitativas. Elencando dimensões e variáveis de análise a partir dos três pilares da coordenação do cuidado (informacional, clínico e administrativo/organizacional), foram analisadas diretamente a percepção dos gestores, utilizando entrevistas e questionários e as experiências dos usuários, através de itinerários terapêuticos tendo como evento traçador o Acidente Vascular Encefálico (AVE).

Os resultados apresentados pelos pesquisadores são bastante densos. Dentre eles, destacam-se reflexões que trazem à tona a fragilidade da APS em se constituir como porta de entrada preferencial no sistema e de oferecer uma atenção à saúde resolutiva. A investigação com os usuários a partir do Itinerário Terapêutico, segundo o artigo, apontou, por exemplo, que a APS não é reconhecida por eles como espaço de tratamento clínico, não é reconhecida como espaço de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e não se configura como ponto regular de cuidado, nem antes nem depois do tratamento do AVE. Nesse sentido, o artigo reforça a ideia de que romper com a lógica compartimentalizada da atenção à saúde não é tarefa fácil.

Traz também à tona uma série de achados sobre a relação entre APS e Atenção Especializada e o mix público-privado na estruturação dos serviços da região em análise. Além disso, chama a atenção para as diferenças entre a perspectiva dos gestores e a experiência dos usuários, no que tange a elementos relacionados à coordenação do cuidado.

Bousquat e as demais autoras e autores finalizam o artigo afirmando que no Brasil, “muito se tem falado sobre o caráter central da APS na constituição das RAS, mas esta é uma relação de mão dupla. Da mesma forma que não existe RAS sem APS robusta capaz de coordenar o cuidado, a APS não consegue exercer seu papel sem um sólido arranjo regional e uma articulação virtuosa entre os três entes federados. Só assim a APS será capaz de coordenar o cuidado, reafirmando que uma coordenação do cuidado fraca é definitivamente um importante obstáculo para a garantia da integralidade, do acesso e da oferta de serviços de saúde de qualidade. ”

Trata-se, enfim, de um interessante artigo dessa recente publicação da C&SC e que alimenta o necessário debate sobre o papel da APS e da coordenação do cuidado para a estruturação das Redes de Atenção à Saúde (RAS).

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